Literatura Goiana – Ermos e Gerais

No início desse ano de 2019, naquele momento em que fazemos 1.001 planos, promessas e objetivos para cumprirmos ao longo do novo ano que se inicia (as estatísticas confirmam que de cada 1.001 promessas feitas na virada do ano, 1.002 não são cumpridas), eu prometi para mim mesmo que durante o ano de 2019 leria mais literatura goiana e, de preferência, descobriria novos autores, além dos já conhecidos. Bem, como eu sou cumpridor de promessas e, para mim, promessa feita é promessa cumprida (nesse momento, por mais estranho que pareça, suspeitei ouvir uma risadinha que veio da bicicleta ergométrica que virou cabide de camisetas e, também, uma tossida mal disfarçada das apostilas de inglês esparramadas na minha estante. Mas acho que são coisas da minha cabeça.), comecei a missão com ninguém menos que Bernardo Élis, considerado o maior escritor goiano, afinal, foi, até agora, o único comedor de pequi e do pé rachado a fazer parte da Academia Brasileira de Letras.

Escolhi o livro “Ermos e Gerais” (Martins Fontes, 287 páginas), primeiro livro de contos do autor, lançado em 1944, é uma obra carregada das características que os especialistas chamam de “regionalismo”. O livro traz 19 contos e uma novela (André Louco), todos inspirados em acontecimentos e situações do cotidiano do interior goiano. Foi uma leitura rápida, a obra prende a atenção do leitor, talvez porque eu, sendo do interior do estado de Goiás, já conhecia a maioria das palavras que o autor emprega, não necessitando consultar dicionários ou enciclopédias, para alguém que não tenha tanta intimidade com a cultura clássica goiana provavelmente seja uma leitura um pouco mais difícil.

Já conhecia alguns dos contos do livro, mas como os tinha lido há muito tempo, não estavam mais tão claros em minha mente. Foi um duplo prazer: conhecer novos contos e relembrar de outros que já havia me esquecido. Sobre Bernardo Élis nem preciso falar, como disse anteriormente, é considerado o maior escritor goiano, embora não seja o meu favorito, o fato de ser um imortal da Academia Brasileira de Letras prova a grandiosidade de suas obras. Natural de Corumbá de Goiás (ainda vamos falar mais dessa cidade aqui em resenhas da literatura goiana), Bernardo Élis Fleury de Campos Curado nasceu em 15 de novembro de 1915, trouxe de berço o gosto pela literatura, de acordo com reportagem do jornal “O Popular”, seu pai, Érico Curado, foi o introdutor de movimentos literários importantes em Goiás, como o Parnasianismo e o Simbolismo, e integrou a Academia Goiana de Letras. Também foi advogado, professor, poeta, contista e romancista brasileiro. Sua obra mais famosa é o romance “O Tronco”, de 1956, que foi adaptada para o cinema em 1999. Em 1966 Bernardo Élis recebeu o Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, pelo livro de contos “Veranico de janeiro” (que pretendo ler), entre diversos outros prêmios. O autor morreu em 30 de novembro de 1997, na sua cidade natal, Corumbá de Goiás, aos 82 anos de idade.

Para quem quiser saber mais sobre Bernardo Élis, CLIQUE AQUI para acessar uma reportagem do jornal “O Popular” que traz algumas informações interessantes sobre a vida desse grande autor de nossa terrinha. Pretendo ler mais algumas obras do autor e, com certeza, compartilharei aqui minhas impressões. Então é isso, fiquem ligados que minha próxima resenha será sobre um autor goiano, jovem e ainda pouco conhecido no Brasil, porém possui uma qualidade literária que me deixou impressionado. Até lá!

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