Clube de leitura engaja alunos de escolas públicas na Bahia

Professora conta como desenvolveu projeto itinerante que percorreu diferentes colégios estaduais de Senhor do Bonfim (BA) para despertar o interesse dos jovens pelos livros

por Edjanne Amaral de Almeida Silva  17 de outubro de 2018

O hábito de leitura depende de outros elos no processo de educação, como por exemplo, o incentivo dado pela família e um ambiente propício oferecido pela escola. Sem ler, o aluno não sabe interpretar, resumir, retirar a ideia principal do texto, analisar, criticar e julgar. Com essa certeza, colocamos em prática o “Clube da leitura itinerante”, que teve o objetivo de proporcionar essas habilidades.

O projeto foi desenvolvido por meio de encontros com estudantes do 9º ano do ensino fundamental e dos 1º, 2º e 3º anos do ensino médio de escolas estaduais de Senhor do Bonfim (BA). Por ter uma proposta de itinerância, o Centro Juvenil de Ciência e Cultura, no qual eu trabalho, levou o clube da leitura para outro espaço de educação formal e proporcionou uma vivência do aluno com um material diversificado, que aconteceu de forma participativa e lúdica.

Para a execução do projeto, procuramos trabalhar com alunos de escolas públicas, visto que, a formação leitora do aluno é desinteressada, defasada e imatura. O projeto teve por maior objetivo influenciar o leitor, bem como contribuir na sua formação em relação à leitura.

A cada encontro, convidamos os alunos a compartilharem leituras, experiências e a falar de temas como amor, amizade, superação, dor, morte, saudade, infância, mistérios, entre outros. Antes de iniciarmos análise das obras, fazíamos uma breve leitura e/ou apresentação relacionada ao tema que seria abordado. Em seguida, eram desenvolvidas diversas atividades referentes ao livro e à temática. Os alunos também participavam de momentos com atividades dinâmicas para tornarem os encontros diferenciados.

Com o objetivo de superar os limites da sala de aula, considerando a importância de trabalhar leitura, escrita e arte, os alunos foram convidados a participar, durante o intervalo nas suas escolas, com esquetes, músicas, recitação de poesias e outras apresentações. Eles também se comunicavam em grupo de WhatsApp (criado e administrado pelos professores da área de linguagens) para tratar de assuntos referentes a cada obra trabalhada.

Nestes espaços, os educandos encontraram suporte com textos literários, fotos e comentários que ajudavam até a resolver problemas emocionais. Eles puderam expor suas impressões, sentimentos e opiniões sobre os textos lidos e disponibilizados, assim como escolher outros autores para compartilhar com o grupo, sugerir livros e postar vídeos.

Algumas atividades de sensibilização foram desenvolvidas, como a “Troca de Crachás”, em que eles tiveram que produzir figuras parecidas com emoticons para se identificar e, depois, trocar os crachás de forma aleatória até encontrar o dono e começar uma conversa informal.

Foram formados vários grupos com os alunos. Eles também participaram da caça ao tesouro antes das oficinas, onde tinha que procurar um quebra-cabeça espalhado pela escola para formar a capa de um livro. Os alunos também fizeram um amigo secreto, onde tiveram que colocar em um papel o nome de um livro ou música que eles gostavam e deixar que os demais tentassem adivinhar. Foi formada uma roda para que eles se apresentassem de forma dinâmica e criativa usando objetos como óculos, chapéus, colares, perucas.

Em outra atividade, eles fizeram um círculo “antiestresse”, em que cada participante tinha que fazer massagem no colega que estava ao lado. Para contribuir com o relacionamento interpessoal, eles ainda foram convidados a participar de uma dinâmica chamada “recebendo elogios”. Cada aluno colocava uma folha em branco nas costas do colega e ficava com uma caneta nas mãos. Uma música começava a tocar, eles andavam pelo espaço e, quando o som parava, tinham que escrever um elogio nas costas do amigo. Por fim, cada um retirava o papel das costas e lia o que os colegas tinham escrito.

Durante as oficinas, também foram trabalhados livros por meio de vídeos do YouTube, filmes, exposição oral, cartazes, imagens e roda de conversa. O trabalho com as obras também deu origem a atividades como tiro ao alvo, trilhas, confecção de artes (marcador de livros, chaveiros, almofadas), caça ao tesouro, ilustrações, escrita, tempestade de ideias, excursão e confecção de um portfólio.

Tudo foi feito na escola em que os alunos estudavam, já que o projeto tinha característica itinerante, com mais ou menos vinte e cinco alunos de séries variadas. Ficamos em cada instituição mais ou menos um mês, e depois fomos aplicar o projeto em outra escola dos distritos de Senhor do Bonfim.

O “Clube da leitura itinerante” fez muito sucesso. Ao final de cada oficina, havia uma avaliação em que os alunos tinham a oportunidade de dar sugestões e fazer observações sobre o que não haviam gostado ou o que podia ser feito com maior frequência. O que nos chamou bastante atenção foi ouvir de todos que ler é muito bom, não é cansativo e que existem diversas possibilidades de trabalhar a leitura e a escrita de forma prazerosa.

Fonte: Porvir

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